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A Estrela de Belém

Crônica Natalina escrita há 50 anos pelo farmacêutico e cronista João Fialho de Mello. Foi lida na Rádio Progresso (Maceió), pelo locutor Danúbio Lira, no dia 24 de dezembro de 1967.


O nascimento de Jesus - Imagem ilustrativa

O nascimento de Jesus - Imagem ilustrativa   Foto: Reprodução/Google

Postado em: 24/12/2017 às 12:14:55   /   por Redação

Cintilando no céu, naquela Noite Feliz, estava a Estrela de Belém, avisando a todas as pessoas daquela nação judaica, o nascimento de Jesus.

Jesus Menino devia àquela hora da noite estar na manjedoura, ao lado de José e Maria, quando no firmamento iluminavam, também, outras estrelinhas menores.

Mas, é que aquela grande e linda Estrela tinha como que, uma calda de fulgurante luminosidade, a chamar mesmo a atenção até dos indiferentes. Mas o que seria aquilo? Perguntavam todos, uns aos outros. Espalhando-se a notícia naquela Noite Feliz, chegou a mesma aos ouvidos dos Magos, dos três reis persas, os sacerdotes dos Medos: Baltazar, Melchior e Gaspar, que resolveram acompanhar a Estrela. Eis que ela os guiou certinho até o sagrado local onde encontraram o Deus Menino deitadinho nos braços de sua meiga mãe Maria, a Virgem Bem Aventurada.

Era o Natal de Jesus! Os pastores juntos as suas ovelhas. Nas suas casas os aldeões se prostraram de joelhos, os olhos no céu, louvando a Deus nas alturas. Nasceu Jesus tal qual como predisseram os profetas. Tal como anunciara e estava escrito no Livro Sagrado. Noite Feliz! Nos céus os anjos cantavam Hosanas e bendiziam o formidável acontecimento. Sim, estamos agora comemorando aquela efeméride.

Com a vinda de Deus à Terra,  poderíamos viver na santa paz do Senhor. Fez Ele maravilhosos convites nos seus magníficos, esplêndidos sermões, concitando os homens a praticarem o bem, a construírem templos a virtude e cavarem masmorras ao vício. Missão divina e amorosa!

Mas...  Deixarei aqui  esta reticência, chamando a atenção dos povos para a atualidade. Teria o mundo melhorado com o advento do Divino Ser?

Quisera eu poder, nesta crônica natalina,  chamar ou mesmo prender a atenção da comunidade católica sobre a importância de mais um aniversário do nascimento de Jesus. O manso nazareno  que viera a este mundo de torpezas, a esse oceano de maldade humana, em  missão do Amor Divino numa demonstração do supremo Amor de Deus a todas as criaturas do Universo. Veio Ele, Jesus, pregar o bem, a tolerância, o perdão, exemplificando tudo isso, sofrendo crucialmente, porém, perdoando sempre aos seus algozes. Para que, afinal? Para dar seu testemunho ao mundo da indiscutível bondade do Pai Eterno. Nenhum ser humano, apesar dos horrores que estamos vendo, jamais sofreu tanto até dar a sua vida em holocausto, visando à salvação da humanidade. Não obstante não foi compreendido. Não foi encarado como enviado de Deus. Pouquíssimos o aceitaram, outros o encarneceram, igualaram-no aos piores dos bandidos e assassinos. Deram-lhe uma morte ignominiosa numa cruz, como era de costume ali se matar os ladrões.

Homens maus e perversos! Aquela malta de incestuosos e corruptos, ainda hoje está pagando por tamanha insensatez.

O que fizera Jesus para ter o trágico fim que a história registrou? A quem ele ofendera? Que espécie da maldade fez para ser tão incompreendido? Escandalizou? 

Jesus mostrou aos homens que só o amor, o perdão, a caridade dão aos habitantes do Universo sossego, paz e tranquilidade. Mesmo porque é perdoando  que somos perdoados; amando que somos amados , e dando algo de bom que também  recebemos. Filosofia admirável a de Jesus!

Em consequência de tanta desobediência e crueldade é que hoje nos sentimos apavorados e amedrontados.

 As guerras se espalham por toda a parte, trazendo o luto, a orfandade e a viuvez mais inconsolável, a miséria, enfim. Pobre humanidade!

Mas Ele disse: “Busca-me e eu estarei convosco até a consumação do século”. “Vinde a mim todos vós cansados e estropiados,  eu vos aliviarei”. “Pedi e ser-vos-á dado”; “Batei e ser-vos-á aberta a porta”.  E por que então não vos decidistes? O meigo Cordeiro, o manso Nazareno, Jesus, o Salvador, abomina o pecado, porém, ama o pecador.

Diante de tamanha indecisão dos homens só resta uma rogativa neste Natal, Data Magna para os verdadeiros cristãos.

Como a hora que passa é de tristeza, concito todos os ouvintes a orarmos e a chorarmos ante a calamidade, ante a indiferença dos homens de ciência, dos sábios de hoje aos salutares conselhos do amado Mestre Jesus Cristo, quando disse: “Não façais aos outros aquilo que não quereis a vós”.

Materialista não crê em Deus e nem nos seus enviados paladinos do bem e do amor universal. Os modernos engenhos mortíferos, aí estão eles exterminando as massas, fulminando-as numa insignificante fração de segundos ou menos, destrói milhares de vidas entre os seres viventes da Terra, criaturas de Deus. O “não matarás” não teve significativo para essa  gente crudelíssima. A indiferença ao celestial apelo tem gerado pranto e ranger de dentes.

A humanidade vem sofrendo horrivelmente pela sua desobediência. O mal vem causando aos habitantes da Terra a sua horripilante ação devastadora. Não seria difícil que o contrário sucedesse se o bem consubstanciado na tolerância, no perdão e no amor habitasse nos corações dos homens.

Mas, era tão grande o fulgor  daquela Estrela, que se destacava  das demais, no firmamento. Era por certo  a luminosidade do Deus Menino. Ela espargia  claridade, luz por todos os caminhos, montes e baixadas, todos os recantos da Terra foram iluminados naquela noite maravilhosamente feliz. Nascera Jesus, aquele que viera para iluminar o mundo, tirá-lo das trevas, onde as consciências embotadas pendiam para a maldade, predominavam a hipocrisia e a idolatria. Deus era o Sol, era um animal qualquer, um bezerro de ouro. Imperava o paganismo e a dissolução.

Jesus viera para que todo o pecador fosse regenerado e, arrependido, encontrasse a salvação, pois Ele sempre foi e será o caminho certo e a Vida Eterna, assim diz as Escrituras.

Se realmente respeitássemos e cumpríssemos seus Mandamentos poderíamos agora comemorar mais um Natal de Jesus, dando graças  ao Pai Eterno e cantar bem alto Hosanas: Glória a Deus nas alturas e Paz na Terra  aos homens de boa vontade!

 

* Crônica escrita por João Fialho de Mello e lida pelo radialista (locutor), sobrinho do cronista, Danúbio Lira, em seu programa na Rádio Progresso, de Maceió. O texto original foi guardado durante muitos anos por Danúbio Lira e, nos idos de 1990, foi dado de presente ao filho do autor pelo primo e locutor Danúbio Lira. Para esta publicação o texto foi transcrito na íntegra.

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