5º Encontro da Jovem Guarda Pão-de-açucarense será realizado no dia 8 de setembro
Este ano estão sendo esperados mais de 130 participantes no evento
4ª Encontro da Jovem Guarda Pão-de-açucarense , em 2016 Foto: Reprodução/Facebook/Cortesia
Está marcado para o próximo dia 8 de setembro (sexta-feira), um dia após o feriado nacional alusivo à Independência, o 5º Encontro da Jovem Guarda Pão-de-açucarense, evento que reúne dezenas de filhos de Pão de Açúcar e agregados, na Avenida Bráulio Cavalcante, trecho antigamente conhecido como “Rua de Cima”.
O objetivo da festa é promover o reencontro e a confraternização da geração que viveu e curtiu os anos 60 e início dos anos 70, sua cultura, seus ídolos, suas canções, valores, moda e boas lembranças.
A festa não tem fins lucrativos, é apartidária e apolítica, aberta e pública, porém, voltada exclusivamente às pessoas que vivenciaram a Jovem Guarda e seus acompanhantes. É, sem sombra de dúvida, um momento ímpar para matar a saudade dos velhos amigos e deixar as lágrimas de emoção lubrificarem o corpo e a alma durante a recordação de uma época vivida por famílias e amigos que eram felizes e não sabiam.
Segundo informações de Volney Amaral, um dos organizadores do evento, seguindo as quatro edições anteriores, a programação terá início, às 21 horas e 30 minutos, com “as boas vindas” aos participantes; às 22 horas e 30 minutos: um breve uso da palavra, seguida de apresentações de vídeo e outras atrações, incluindo música e dança. Em seguida, o congraçamento seguirá com serenata ao som de violão. Assim como aconteceu nos reencontros anteriores, a previsão é que a festa deste ano termine aos primeiros raios de sol.
Segundo, ainda, Volney Amaral, a expectativa dos organizadores é de que o 5º Encontro da Jovem Guarda conte com a participação de mais de 130 pão-de-açucarenses e seus acompanhantes.
E por não ser um evento com finalidade mercantil, cada participante deve contribuir com a festa levando um prato de petisco (tira-gosto) ou sobremesa para compartilhar com os demais, além de cada participante levar sua própria bebida.
Já a organização do evento entra com a convocação, a infraestrutura, o material de uso comum (descartáveis, gelo, etc). O encontro conta, ainda, com a ajuda de diversas pessoas que doam material e serviços em nome deste importante evento que busca preservar na memória os ideais e sonhos da geração pão-de-açucarense que viveu intensamente as emoções da época da Jovem Guarda.
Conhecendo a Jovem Guarda
A Jovem Guarda foi um movimento cultural brasileiro surgido em meados da década de 1960, que mesclava música, comportamento e moda.
Surgida em agosto de 1965, a partir de um programa televisivo exibido pela TV Record, em São Paulo, apresentado pelo cantor e compositor Roberto Carlos, conjuntamente com o também cantor e compositor Erasmo Carlos e a cantora Wanderléa, a Jovem Guarda deu origem a toda uma nova linguagem musical e comportamental no Brasil. Sua alegria e descontração transformaram-na em um dos maiores fenômenos nacionais do século XX.
Sua principal influência era o rock and roll do final da década de 1950 e início dos anos de 1960 e o soul da Motown. Grande parte de suas letras tinham temáticas amorosas, adolescentes e açucaradas - algumas das quais, versões de hits do rock britânico e norte-americanos da época.
Por essa inspiração, a Jovem Guarda tornou-se o primeiro movimento musical no país que pôs a música brasileira em sintonia com o fenômeno internacional do rock da época, catalisado especialmente pelos Beatles.
Além de Roberto, Erasmo e Wanderléa, destacaram-se no movimento artistas como Ronnie Von, Eduardo Araújo, Sylvinha Araújo, Wanderley Cardoso, Jerry Adriani, Martinha, Vanusa, Carlos Imperial, Rossini Pinto, Leno e Lilian, Evinha (Trio Esperança), Deny e Dino, Paulo Sérgio, Dick Danello, Reginaldo Rossi, Sérgio Reis, José Roberto, Antônio Marcos, Nelson Ned, láudio Fontana, Márcio Greyck, Kátia Cilene, Sérgio Murilo, Waldirene, Arthurzinho, Ed Wilson, Ronnie Cord, Jorge Ben, Tim Maia, Bobby de Carlo, George Freedman, além de bandas como Golden Boys, Renato e Seus Blue Caps, Lafayette e seu Conjunto, Os Incríveis, Os Vips, Os Jovens, The Pops e The Fevers.
Fenômeno midiático que arrastou multidões, também designado como iê-iê-iê, em alusão direta à expressão yeah-yeah-yeah presente em sucessos dos Beatles, a Jovem Guarda era vista com restrições por setores da crítica, uma vez que sua música era considerada alienada pelo público engajado, mais afeito, primeiro à bossa nova e, depois, às canções de protesto dos festivais.
Em Pão de Açúcar, município banhado pelo Velho Chico, distante 240 quilômetros de Maceió e 180 quilômetros de Aracaju (SE), os grandes sucessos da Jovem Guarda eram ouvidos através das rádios Globo (Rio de Janeiro), Tupy (Rio de Janeiro), Bandeirantes (São Paulo), Sociedade (Bahia) Cultura (Bahia), Clube (Pernambuco), Cultura (Sergipe), Difusora (Sergipe), Gazeta (Alagoas) e, principalmente, pelas ondas da Rádio Globo, de Pão de Açúcar (depois Rádio Avenida), de propriedade de José Moura Amaral e Augusto César Andrade Cruz, respectivamente.
Nesta época, eram realizados programas de calouros no palco do Cine Globo/Cine Avenida com a participação de jovens cantores da plaga de Jaciobá. Também vários shows de cantores famosos da Jovem Guarda foram realizados nos palcos dos cinemas locais (Cine Globo/Cine Avenida), entre esses: Antonio Marcos, José Roberto, Nelson Ned e Reginaldo Rossi.
Além de ouvir emissoras de rádio, a juventude de Pão de Açúcar frequentava os cinemas Globo (depois Avenida) e Palace para assistir aos filmes, programas de calouros e shows musicais, além de frequentar os bailes realizados no Iate Cube e no pátio do Ginásio Dom Antônio Brandão. Os jovens participavam, também, dos inesquecíveis “assustados” ou “assaltos” promovidos em residências de pessoas amigas, com destaque para os realizados na residência de José Firmo de Brito. Nesta época, muito diferente dos dias atuais, era possível às pessoas dormirem livremente sobre as calçadas e bancos de praças de Pão de Açúcar.
Na Cidade Branca, como era apelidada a pacata Pão de Açúcar, é praticamente impossível reviver esta fase áurea da juventude sem lembrar o grande precursor do rádio e do cinema pão-de-açucarenses, José Moura Amaral, e dos seus oito filhos – Célia, Murilo, Antonio, Mozart, Volney, Ilma, José e Diná – nascidos do casamento com a senhora Iolanda. Os garotos e garotas do comerciante “Zé Amaral” auxiliavam o pai nas tarefas comerciais e, ainda, participavam ativamente, principalmente os irmãos mais velhos, das atividades promovidas pela Jovem Guarda Pão-de-açucarense.
No início do segundo semestre de 1970, D. Iolanda e os oito filhos foram morar em Maceió, onde todos estudaram e conquistaram seus espaços na capital alagoana.
Em 2013, objetivando matar a saudade dos amigos da época de juventude, depois de ter passado 43 anos ausente, a família Amaral, já desfalcada de Murilo (já falecido), volta à terra natal para promover o primeiro reencontro de uma geração que não se divertia sob os efeitos das drogas nocivas à saúde, à família e à sociedade e tampouco via o crime organizado sobrepor o Estado. E assim teve início o reencontro anual da Jovem Guarda Pão-de-açucarense.
E com o sucesso obtido nas quatro edições, o evento se consolidou e a cada ano vem ganhando mais adesões de ex-jovens do Espelho da Lua. Agora, em sua quinta edição, o reencontro promete bater recorde de presença dos amantes da Jovem Guarda deste torrão que outrora foi taba dos guerreiros Urumaris – uma festa que tem tudo para conquistar lugar no calendário cultural e turístico desta comuna margeada pelo antigo Opará.
(Fonte: Volney Amaral/Wikipedia)


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