BRASIL

MP Militar denuncia 12 homens do Exército por ação com morte de músico e catador no Rio

Documento cita laudo com 257 tiros de fuzil e pistola; 62 deles atingiram carro onde estava família de Evaldo, que morreu na hora.


icon fonte image

  Fonte: GloboNews e G1 Rio - Por Marcelo Gomes e Marco Antônio Martins

Evaldo era músico

Evaldo era músico   Foto: Reprodução/Facebook

Postado : 10/05/2019

O Ministério Público Militar denunciou nesta sexta-feira (10) 12 homens do Exército pelas mortes de um músico e de um catador em Guadalupe, na Zona Norte, em 7 de abril. Os dois foram baleados pelos militares, que alegam terem confundido o carro com o de assaltantes.

Os militares foram denunciados pelos crimes de duplo homicídio qualificado, tentativa de homicídio e omissão de socorro.

O documento cita laudos que apontam terem sido disparados 257 tiros de fuzil e de pistola. O carro em que estavam o músico Evaldo Rosa dos Santos, que morreu na hora, e sua família foi atingido por 62 disparos. O sogro dele, Sérgio Gonçalves de Araújo, ficou ferido na ação.

Após ser atingido, o veículo ainda percorreu 100 metros guiado por Sérgio, já que Evaldo estava desacordado, até parar em frente ao prédio conhecido como Minhocão.

De acordo com a denúncia, após parar, os ocupantes do veículo, duas mulheres e o filho de Evaldo, o menino Davi, de sete anos, saíram e correram em direção ao Minhocão, pedindo ajuda. Sérgio permaneceu no carro, no banco do carona.

Nesse instante, o catador Luciano Macedo foi socorrer Evaldo, sendo baleado pelos militares. Ele morreu semanas depois, no hospital.

Militares denunciados:

  • Italo da Silva Nunes, 2º tenente temporário
  • Fabio Henrique Souza Braz da Silva, 3° Sargento
  • Paulo Henrique Araújo Leite, cabo
  • Leonardo Oliveira de Souza, cabo
  • Wilian Patrick Pinto Nascimento, soldado
  • Gabriel Christian Honorato, soldado
  • Matheus Sant’anna Claudino, soldado
  • Marlon Conceição da Silva, soldado
  • João Lucas da Costa Gonçalo, soldado
  • Gabriel da Silva De Barros Lins, soldado
  • Vitor Borges de Oliveira, soldado
  • Leonardo Delfino Costa, soldado

O advogado Paulo Henrique Pinto de Mello, que defende os militares, disse que não foi informado sobre a denúncia e que vai aguardar a decisão judicial para se pronunciar.

O Comando Militar do Leste (CML) não irá falar sobre o assunto.

A denúncia será agora analisada pela Justiça que decidirá se o caso vira ou não ação penal.

Militares estão presos

Carro fuzilado pelo Exército em Guadalupe — Foto: Fábio Teixeira/AP
Carro fuzilado pelo Exército em Guadalupe — Foto: Fábio Teixeira/AP

Dos 12 denunciados, nove estão presos desde 7 de abril. Eles aguardam a investigação detidos em uma unidade militar. A defesa dos militares entrou com um pedido de liminar no Superior Tribunal Militar (STM) para acompanharem em liberdade a investigação.

Os outros três militares, que não estão presos, aguardam agora se a Justiça aceita a denúncia e se seguirão em liberdade. Destes três militares, dois dirigiam as duas viaturas militares que estavam no local onde Evaldo Rosa morreu.

De acordo com depoimentos dos militares, os dois motoristas não atiraram. Também não atirou o soldado Leonardo Delfino, segundo depoimentos prestados na Justiça.

Um parecer do subprocurador do Ministério Público Militar Carlos Frederico sugeriu que os militares aguardassem, em liberdade, o desenrolar do processo. O relator do caso, o general do Exército Lúcio Mário de Barros Góes, a prisão dos envolvidos não pode ser utilizada de forma a antecipar eventual pena aplicada aos militares, sob pena de se ferir o princípio da presunção de inocência.

O caso foi levado ao plenário do tribunal. O julgamento foi interrompido nesta quarta-feira (8) após o voto de quatro ministros – três votos favoráveis à concessão de liberdade e um contrário.

O STM é composto por 15 ministros, sendo quatro integrantes do Exército, três da Marinha, três da Aeronáutica e cinco civis.

Comentários

Escreva seu comentário
Nome E-mail Mensagem