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Indignados, familiares de Mário Filho rejeitam mudança de nome do Maracanã

O projeto ainda deve demorar para ser votado. Primeiro, terá que ser analisado pelas comissões da Alerj, antes de chegar ao plenário do Palácio Tiradentes.


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  Fonte: TNH1, com CNN Brasil

  Foto: Reprodução/Twitter/Maracanã

Postado : 07/02/2021

O projeto de lei que pretende mudar o nome do Maracanã, de Estádio Jornalista Mário Filho para Edson Arantes do Nascimento – Rei Pelé, pegou no contrapé os familiares daquele que é considerado o principal nome da história do jornalismo esportivo brasileiro.

Todos os parentes ouvidos pela reportagem criticaram a proposta e defendem a preservação da homenagem ao fundador do extinto “Jornal dos Sports”. Em suas páginas cor de rosa, ele foi o maior incentivador da construção do então Estádio Municipal. Atualmente, o equipamento pertence ao governo do estado e está concedido a Flamengo e Fluminense.

Segundo o projeto apresentado essa semana na Alerj pelo presidente da casa, André Ceciliano (PT), o atual nome do estádio sede de duas decisões de Copa do Mundo passaria a batizar todo o complexo, que abriga ainda o Estádio de Atletismo Célio de Barros, o Parque Aquático Júlio Delamare e o Ginásio Gilberto Cardoso, mais conhecido como Maracanãzinho.

Sobrinho-neto de Mário Filho, o ator Sacha Rodrigues, torcedor do Flamengo, protesta: “Isso chega a ser ridículo. Mário Filho foi tão gênio quanto Einstein, quanto Nelson Rodrigues, quanto Pelé. Não se pode comparar genialidades, porque são arenas diferentes, não dá para dizer quem foi mais gênio", disse.

"O Pelé já tem todas as homenagens feitas no mundo. Que deixem em paz o velho Maracanã, já tão agredido, vilipendiado nas obras de reforma da Copa do Mundo. Que coloquem esse nome na Vila Belmiro ou em algum outro canto.”

Neto de Mário Filho e parente mais próximo do jornalista vivo, o jornalista Mário Neto, tricolor, entende que o autor da homenagem não conhece a biografia do avô e nem mesmo a história do futebol brasileiro. “Eu não posso dizer o que penso, caso contrário, iria preso, tamanha indignação.

O Santos dizia sempre que sua maior alegria era jogar aqui, no Maior do Mundo. Mas não existiria o Maior do Mundo sem meu avô, que defendeu a construção de um estádio para 150 mil pessoas. Se não fosse ele, no máximo estádio teria capacidade para 60 mil pessoas, em Jacarepaguá. Para jogar para esse público, o Santos jogaria no Pacaembu ou no Morumbi. Se não fosse meu avô, sequer existiria o Maior do Mundo”, relembra.

Torcedor do Flamengo, Mário Filho morreu em 1966, quando o estádio foi então rebatizado. Ele era irmão do dramaturgo tricolor Nelson Rodrigues. Irmão de Sacha, o escritor Mário Vitor Rodrigues, tricolor, entende que é importante recuperar a importância histórica do tio-avô.

“Nelson Rodrigues ganhou um tamanho tão importante na cultura nacional, pelo teatro, pelas crônicas, que as pessoas esquecem quem foi Mário Filho. Foi um super-empreendedor, criou jornal e eventos. Foi homenageado como nome do estádio porque ele se confunde com a própria construção do Maracanã", diz ele.

"Não é aleatório, como o nome de um aeroporto. A proposta é um desrespeito com Mário Filho e com Pelé, que merece todas as honrarias imaginárias e não deveria passar por essa polêmica, da retirada de um nome de estádio para colocar o dele”, completa.

Mário Filho foi o criador do Torneio Rio-São Paulo, da Copa Rio, torneio internacional de clubes que os brasileiros que a venceram tentam equiparar à conquista de um Mundial, dos Jogos da Primavera, disputados entre clubes e escolas, e dos desfiles das escolas de samba e da figura soberana da folia: o Rei Momo.

Também foi ele quem batizou o principal clássico do futebol carioca de “Fla-Flu” e quem escreveu "O negro no futebol brasileiro", o coniderado o maior clássico sobre futebol do país.

"Seria uma homenagem em vida ao Pelé, e o fato de o complexo se chamar Mario Filho promoveria o jornalista. Sei que estou apanhando muito com esse projeto, mas não vou desistir. Aos poucos, aparecem também as manifestações de apoio, como a dos jornalistas Milton Neves e Rica Perrone", disse.

Sacha também quer recuperar o legado de Mário Filho, para que os jovens conheçam sua a obra, e promete agir nessa direção.

“Eu passei a quarentena relendo a obra do meu avô (Nelson Rodrigues), mas agora vou fazer lives sobre as obras e as crônicas do meu tio nas redes sociais. Se as pessoas esqueceram, vamos lembrar quem ele é. E convidarei, carinhosamente, o deputado André Ceciliano para assistir”, promete o ator.

O projeto ainda deve demorar para ser votado. Primeiro, terá que ser analisado pelas comissões da Alerj, antes de chegar ao plenário do Palácio Tiradentes.

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