RELIGIÃO

Desafeto do Papa na Igreja critica declaração sobre gays

'Não correspondem ao ensinamento da Igreja, como está dito na Sagrada Escritura e na Sagrada Tradição', afirmou Burke.


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  Fonte: Com ANSA

Cardeal Raymond Burke...

Cardeal Raymond Burke...   Foto: Reprodução/Folha - Uol

Postado : 22/10/2020

(ANSA) - Um dos principais desafetos do papa Francisco criticou nesta quinta-feira (22) suas declarações em defesa da união civil entre homossexuais, veiculadas em um documentário em cartaz na Festa do Cinema de Roma.

    O cardeal Raymond Burke, expoente do clero ultraconservador nos Estados Unidos, disse em seu site que recebeu com "tristeza e preocupação" as palavras do líder católico sobre casais gays.

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    "Não correspondem ao ensinamento da Igreja, como está dito na Sagrada Escritura e na Sagrada Tradição", afirmou Burke, que já chegou a insinuar que Francisco é "herege" por causa de sua postura mais aberta em relação a homossexuais e divorciados.

    Para o cardeal americano, são "preocupantes o tumulto, a confusão e o erro causados entre os fiéis" pelas palavras do Papa, "assim como o escândalo que provocam, dando a falsa impressão de que a Igreja Católica tenha tido uma mudança de rota".

    No documentário "Francesco", de Evgeny Afineevsky, Jorge Bergoglio não propõe nenhuma mudança na doutrina católica e defende que o casamento se dá apenas entre homem e mulher. No entanto, Francisco afirma que os homossexuais "têm o direito de ser parte de uma família".

    "Eles são filhos de Deus e têm o direito a uma família. O que é preciso fazer é criar a lei de união civil. Assim, eles são protegidos legalmente. Eu apoio isso", diz o líder católico.

    Embora não altere a posição da Igreja a respeito do casamento, a declaração é inédita para um papa, mesmo para Francisco, que já tinha defendido que gays e divorciados não podem ser excluídos da vida católica.

    Oposição - Aos 72 anos, Burke é o mais notório opositor declarado de Jorge Bergoglio e chegou até a insinuar que Francisco é "herege" por conta de sua decisão de permitir que paróquias liberem divorciados para comungar.

    Além disso, o cardeal convocou um jejum contra o Sínodo da Amazônia, que propôs em 2019 a ordenação de homens casados na floresta, ideia depois rejeitada pelo Papa.

    Mas Burke não é o único adversário declarado de Francisco no clero. Outro bispo dos EUA, Joseph Strickland, afirmou nesta quinta que as palavras do Papa sobre homossexuais são "perigosas e criam confusão". "Existem forças do mal que gostariam de destruir a Igreja Católica", declarou, em entrevista ao portal National Catholic Reporter. (ANSA).

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